Tenho saudade dos tempos idos do meu rádio Telefunken
Você não tem saudade? Eu tenho - e muita. Do rádio Telefunken, por exemplo, o primeiro da minha casa, que chegou pelas mãos dos irmãos Lenivaldo e Lenildo. Não sei quem desembolsou a grana. Aquele rádio e todos de Caruaru enfrentavam um adversário terrível: a queda de energia elétrica. Essa queda ameaçava queimar as válvulas que sustentavam as ondas médias, tropicais e curtas do grande companheiro. E nele, o companheiro, ouvi tantos jogos, tantas resenhas esportivas e tantos gols.Gols narrados por Fernando Ramos, Fernando Castelão, Vicente Lemos, Antônio Menezes, Renato Silva, Luiz Cavalcante, César Brasil. Eles, os locutores dos anos 50, dos anos 60. Pelas ondas curtas, o Telefunken recebia o relato dos narradores de São Paulo e do Rio - Fiori Gigliot, Pedro Luiz, Edson Leite, Geraldo José de Almeida, Jorge Cury, Doalcei Camargo e tantos outros -, que fantasiavam grandes confrontos das bandas de lá: Corinthians x Palmeiras, Santos x São Paulo, Flamengo x Vasco, Fluminense x Botafogo, os jogos da Portuguesa de Desportos, que também era um dos grandes.
No dia a dia, ouvia as resenhas das rádios Clube de Pernambuco e Panamericana, a hoje Jovem Pan, de São Paulo, entre 12h e 12h30. No começo da noite, sintonizava a Rádio Jornal do Commercio, a P-R-L-6. Aos domingos, colava o ouvido nas transmissões da Jornal, da Clube, da Panamericana e da Bandeirantes, .as duas últimas, potentes emissoras paulistas.
Pelo meu Telefunken, ri, chorei, vi gols, vi passes, vi defesas. Ouvi lindas e românticas transmissões. Vivi grandes emoções. Gostaria, hoje, de saber onde está o companheiro de tardes e noites daqueles anos maravilhosos. Por onde andarás, meu Telefunken, tu que trouxeste o futebol para meu coração.Por favor, amigo, se encontrar um rádio Telefunken por aí, pergunte: você morou em uma casa modesta da rua Visconde de Inhaúma, em Caruaru?
Saudade, saudade do meu Telefunken. Nele, eu despertei definitivamente para a bola. A bola dos meus sonhos e dos craques que jogavam por mim e para mim.
Por Paulo Moraes
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