sábado, 17 de outubro de 2009

Tenho saudade dos tempos idos do meu rádio Telefunken

Você não tem saudade? Eu tenho - e muita. Do rádio Telefunken, por exemplo, o primeiro da minha casa, que chegou pelas mãos dos irmãos Lenivaldo e Lenildo. Não sei quem desembolsou a grana. Aquele rádio e todos de Caruaru enfrentavam um adversário terrível: a queda de energia elétrica. Essa queda ameaçava queimar as válvulas que sustentavam as ondas médias, tropicais e curtas do grande companheiro. E nele, o companheiro, ouvi tantos jogos, tantas resenhas esportivas e tantos gols.

Gols narrados por Fernando Ramos, Fernando Castelão, Vicente Lemos, Antônio Menezes, Renato Silva, Luiz Cavalcante, César Brasil. Eles, os locutores dos anos 50, dos anos 60. Pelas ondas curtas, o Telefunken recebia o relato dos narradores de São Paulo e do Rio - Fiori Gigliot, Pedro Luiz, Edson Leite, Geraldo José de Almeida, Jorge Cury, Doalcei Camargo e tantos outros -, que fantasiavam grandes confrontos das bandas de lá: Corinthians x Palmeiras, Santos x São Paulo, Flamengo x Vasco, Fluminense x Botafogo, os jogos da Portuguesa de Desportos, que também era um dos grandes.

No dia a dia, ouvia as resenhas das rádios Clube de Pernambuco e Panamericana, a hoje Jovem Pan, de São Paulo, entre 12h e 12h30. No começo da noite, sintonizava a Rádio Jornal do Commercio, a P-R-L-6. Aos domingos, colava o ouvido nas transmissões da Jornal, da Clube, da Panamericana e da Bandeirantes, .as duas últimas, potentes emissoras paulistas.

Pelo meu Telefunken, ri, chorei, vi gols, vi passes, vi defesas. Ouvi lindas e românticas transmissões. Vivi grandes emoções. Gostaria, hoje, de saber onde está o companheiro de tardes e noites daqueles anos maravilhosos. Por onde andarás, meu Telefunken, tu que trouxeste o futebol para meu coração.Por favor, amigo, se encontrar um rádio Telefunken por aí, pergunte: você morou em uma casa modesta da rua Visconde de Inhaúma, em Caruaru?

Saudade, saudade do meu Telefunken. Nele, eu despertei definitivamente para a bola. A bola dos meus sonhos e dos craques que jogavam por mim e para mim.

Por Paulo Moraes


    0 comentários:

    Postar um comentário